24 de maio – Dia Mundial da pessoa com esquizofrenia

Hoje, 24 de maio, é o Dia Mundial da pessoa com esquizofrenia.

Sem querer romancear e jamais fazendo a apologia desta condição clínica, publico um pequeno excerto do filme “A beautiful mind”. Vejamos neste pequeno vídeo a menina que corre entre os pombos, que não voam. Há possibilidade de fazer aquilo que uma abordagem fenomenológica preconiza, o “teste da realidade”. Ou a menina ou os pombos, ou ambos, serão por nós construídos.

…E a vida continua.

Ao contrário do que muitos possam querer acreditar, não obstante toda a complexidade que o temática encerra, há sim possibilidade de descriminar entre as percepções da realidade que nos chegam pelos órgãos dos sentidos e as produções do nosso cérebro, na ausência de objecto real.
Assinalo este dia para não esquecer o desafio que é tratar esta doença e sobretudo para apelar à efectiva possibilidade de superação da mesma, recordando que é possível viver autonomamente e com qualidade de vida.

Há alguns pontos de maior destaque, que queremos evidenciar, neste dia de sensibilização:

1) A importância da motivação para a adesão e manutenção da farmacoterapêutica adequada.

2) A importância da psicopedagogia à população geral, a familiares e doentes, tão importante na desconstrução de “achismos”, mitos e preconceitos (que têm na sua base a desinformação e o desconhecimento).

3)A importância da psicopedagogia anti-estigma e da psicoeducação, a partir de uma abordagem cognitivo-comportamental, com relação a estas condições das alterações do pensamento, a fim de mitigar vulnerabilidades daí decorrentes e sobretudo reforçar e potencializar ao máximo os recursos protetores de cada pessoa.

4) A importância da promoção da qualidade de vida (com tudo o que a noção de “qualidade de vida” engloba).

5) A importância de distinguir, de uma vez por todas, Pessoa Vs Doença.

Nunca uma pessoa se reduz a uma doença. Nunca uma doença caracterizará uma pessoa.

6) A importância de clarificar que a pessoa pode passar grandes temporadas, ou anos, sem sintomatologia. E pode aprender a gerir a sua relação com a sintomatologia, caso surja.

7) A importância de distinguir noções como condição crónica Vs cronificação.

8) A importância da promoção do auto-cuidado como uma regra (minimizando a sua exposição a factores de risco, desenvolvendo estratégias activadoras dos recursos protectores de cada um, preservando a qualidade do seu espaço relacional e pessoal, respeitando rotinas e ciclos de sono-vigília, e envolvendo-se em actividades, quer de mestria, quer de lazer, que sejam gratificantes).

Vânia Cardoso

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