“Todos temos traumas que foram forjados desde muito cedo” – lembra-nos David Grand, psicoterapeuta especialista em traumatologia, criador do Brainspotting. É complexa a definição de trauma de infância. Uma forma mais concreta e clarificadora para o definir, passa por mencionar a tríade sempre presente “Too much, too soon, and too alone”. Demasiado, demasiado cedo, e demasiado só.
Trauma infantil e experiências adversas na infância (tais como elevado nível de criticismo e/ou abuso, e/ou negligência por parte dos pais) está intimamente relacionado com a depressão e a ansiedade (assim como ansiedade social) na idade adulta, comprometendo a capacidade da pessoa interagir, de se conectar eficazmente, e de formar relacionamentos significativos a longo prazo.
Estas experiências traumáticas resultam frequentemente em desregulação emocional, contribuindo para relacionamentos voláteis e instáveis, disfuncionais. As pessoas que têm dificuldade em formar conexões emocionais saudáveis estão, por conseguinte, mais propensas a experienciar sentimentos crónicos de solidão, assim como outros sentimentos afins, que muitas vezes nem são reconhecidos.
“Hoje sabemos que o cérebro pode modificar-se – neuroplasticidade – e recuperar de eventos que pensávamos que não conseguiria, mas a questão vai mais longe: o sistema nervoso pode desenvolver novas células – neurogénese – e a imagiologia cerebral mostram-nos isso.” (David Grand).
A boa notícia é a de que há esperança: você pode sentir-se melhor. Procure ajuda profissional, especialmente se passou por experiências traumáticas.
E, só por hoje: identifique e valide os seus sentimentos. A negação e a vergonha apenas perpetuam e asseguram a manutenção do trauma. Reconheça que existe em si uma parte ferida. Acolha-a. Ao menos, reconheça a existência dela. O que quer que seja, qualquer que seja o sentimento, a parte, a emoção, a dor… Dê acolhimento. Isso vai ajudar.
