Limites… São um ato de amor.

Dos limites.
Trazendo simplicidade aquilo que talvez haja de mais complexo entre nós, humanos: os relacionamentos.
Limites são a chave da nossa felicidade, do nosso amor-próprio, do nosso respeito, proteção e centramento. São um ato de amor pelo outro, também. Exercer limites, por exemplo, com os nossos pequenos filhos, quando lhes dizemos que não podem ficar acordados até tarde, é protegê-los.
Um jogo de futebol – noutro exemplo – só é possível ser jogado porque existem linhas bem definidas, balizas, meio-campo, grande área, pequena área, árbitro, vídeo-árbitro, fiscais de linha, cartão amarelo, vermelho, e muitas regras bem definidas, estruturantes e organizadoras do jogo. De outra forma, seria impossível jogar, criar ligas, campeonatos, eventos mundiais.
Limites estão ao serviço da relação. Nos relacionamentos há muita diversidade: pessoas mais reservadas, mais expansivas, as que são mais sisudas, etc. Nós podemos relacionar-nos com muitas pessoas e diferentes entre si, assim o queiramos. Pois que a nossa definição de limites internos e o nosso centramento, nos permite melhor saber amar e respeitar quem é diferente… Sem pedirmos que se anulem para se adaptar “a mim”. E – muito importante, determinante – sem “eu ter que me esforçar” para caber no mundo do outro, para lhe corresponder nas suas expectativas. Em QUALQUER relacionamento – no qual queiramos preservar e valorizar a importância relação – cada um terá que colocar os seus limites. “Vou fazer o que me dá na real gana?” Nem sempre. “Vou permitir que o outro faça como quer, independentemente do que sinto?” Nunca.
Limites clarificam. Dão contorno à relação. São a força da relação. Recorrendo à metáfora que é o corpo, “limites permitem articular a relação”. Como articulações que ligam os ossos do nosso corpo uns aos outros (parafraseando o Dr. Fernando Freitas, que propõe esta mesma analogia, entre as articulações, do corpo, e os limites, relacionais.) E cada articulação permite flexibilizar, até um dado limite, movimentos diferentes para que os corpos se movimentem integralmente.
Se forçarmos os nossos limites, essas mesmas articulações, vão se ferir, ou mesmo quebrar a ligação entre as partes. Eu não posso fazer o que “me apetece”, ou o que “lhe apetece” com essas articulações. Posso fazer o que é possível. Quando sentimos, no corpo, determinada esforço, sacrifício, ou carga, e não dá para tolerar mais, é um limite. Proteger a relação, é poder executar o melhor de cada uma dessas articulações. Com respeito, sem forçar. E assim construir RELACIONAMENTOS SAUDÁVEIS.

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