Renascida das próprias cinzas, Fénix, acolhe-nos com grande senso de identidade colectiva, e de humanidade. Este mito abarca, e abraça, a todos nós; e entre os vários povos simboliza Renascimento.
Algumas versões do mito dizem que a ave vivia séculos e que, ao pressentir a chegada da própria morte, construía uma pira funerária onde se auto-incendiava, renascendo das cinzas, renascendo do antigo ser. Outra versão diz que a ave se lançava nas chamas do altar de Rá – um altar dedicado ao Sol – isto na cidade egípcia de Lunu; cidade essa chamada pelos gregos de Heliópolis (etimologicamente “Cidade do Sol”). Os gregos interpretavam o mito de Fénix com base na ideia do renascimento enquanto algo recorrente e cíclico, pelo facto de na lenda a ave ressurgir das cinzas e também pela sua relação com o Sol, estrela que “renasce” todas as manhãs.
Acredita-se que a Fénix seja um ser mítico originário da mitologia egípcia e que a sua história fora transmitida para a mitologia grega, apesar de existirem correntes que defendem um caminho inverso. (Sabe-se, ainda, que a origem etimológica da palavra é grega, Phoenix – que pode remeter a uma possível origem fenícia ou pode ser uma referência à sua cor avermelhada.) No Egito davam-lhe o nome Benu, ave intrinsecamente ligada ao Sol, que – à sua semelhança – ter-se-ia criado a si mesmo a partir das chamas de uma fogueira dedicada ao deus Rá, deus-Sol dos egípcios. No caso dos gregos, a primeira menção a Fénix surge num poema que tem autoria atribuída ao poeta Hesíodo, chamado “Os preceitos de Quíron” (Que por sua vez nos relembra o Mito de Quíron, o curador ferido – mito esse carinhosamente pesquisado entre as várias correntes psicoterapêuticas que entendem a influência dos arquétipos, dos símbolos e da mitologia, como algo relevante, e estruturante, na psique humana).
Voltando ao Mito de Fénix, este foi, mais tardiamente, adotado por povos cristãos. Para os russos, a ave era o Pássaro de Fogo. Nas várias eras, em todos os cantos do mundo, pássaro, ave, lenda, existe… porque existe vida. E vida é mudança. É energia de transformação. Na metamorfose e no caos – no movimento, enfim, na expansão – a vida acontece. Na (nossa) vida, cada um de nós nasce e renasce, e se completa.

