O acrónimo EMDR significa Eye Movement Desensitization and Reprocessing, a traduzir para a nossa língua será Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular. A Psicoterapia EMDR, muito resumidamente, e como a própria designação sugere, trata-se de um método estruturado que envolve um processo de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de estimulação bilateral do cérebro, a qual promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais.
O método, adequadamente aplicado, facilitará a auto-regulação, e o processamento natural da informação através da psicoterapia EMDR, tende a ser reposto. Assim, após uma sessão com EMDR, a percepção psicossensorial acerca de determinado tema, memória ou evento já não se manifesta como anteriormente, quando o episódio traumático é acedido e recordado pela pessoa.
O EMDR recria em parte o que acontece naturalmente durante o sonho ou o sono em fase REM (Rapid Eye Movement) e a metodologia de intervenção no processo EMDR pode ser entendida como uma terapia de base fisiológica. Estaremos correctos se quisermos considerá-la uma terapia não verbal, isto é, não baseada no debate ou questionamento socráticos a fim de obter uma reestruturação cognitiva. Evidentemente, além das indicações mencionadas por parte da psicóloga que se comporta como um facilitador, orientando um processo, haverá diálogo durante a intervenção com base na terapia EMDR, diálogo esse essencial, onde o cliente pode e deve veicular verbalmente o que entender e quiser.
Após a intervenção psicológica a partir da psicoterapia EMDR, o material e conteúdos traumáticos evocados nas cadeias associativas, além de reprocessados e passíveis de serem ressignificados pelo cliente, continuam acessíveis através da memória, mas o seu efeito perturbador desvanece, dissipando-se o impacto do efeito patológico relativo às memórias alvo de intervenção, associadas às experiências passadas. Além disso, podem ser desbloqueados os mais variados impasses relacionados com os conteúdos alvo de intervenção, que anteriormente pudessem estar a impedir, bloquear e limitar a pessoa, nos mais diversos domínios do seu funcionamento.
Um número substancial de investigação científica desenvolvida na área, demonstra já eficácia comprovada da Psicoterapia EMDR, e, mais importante ainda, os estudos científicos indicam resultados terapêuticos duradouros a longo prazo. Até à atualidade estima-se que a terapia EMDR facilitou meio milhão de pessoas, de todas as idades, a mitigar e a fazer dissipar vivências emocionalmente dolorosas, foco de atenção clínica, e diferentes tipos de traumas psicológicos. Fruto de extensa pesquisa, as possibilidades de intervenção foram alargadas passando a abranger fobias, perturbações de ansiedade, crises de pânico, depressões e quadros psicossomáticos, entre outros exemplos que poderíamos mencionar.
Podendo ser genericamente entendida como uma terapia de Reprocessamento, a Psicoterapia EMDR foi idealizada como terapia breve e focal. Esta metodologia de intervenção, simultaneamente brilhante e simples, foi desenvolvida por Francine Shapiro, psiquiatra e psicoterapeuta norte americana com um longo e diversificado currículo, inclusive na áreas da educação e da literatura. Francine Shapiro, à época diagnosticada com doença oncológica, descobre acidentalmente enquanto caminhava, num dos seus habituais passeios, a relação entre os movimentos oculares e eventuais alterações sensório-motoras, assim como evocação de cadeias associativas. A partir de então procura desenvolver os seus recursos psicoterapêuticos, divergindo cada vez mais da tradicional abordagem psiquiátrica. E sobretudo procurou persistentemente, com ajuda de vasta equipa, sistematizar a técnica numa metodologia que viesse a lograr credibilidade. E assim foi. Na década de 90 do passado século, esta psicoterapeuta incessante e inovadora, sistematiza detalhadamente as oito fases da intervenção. Francine Shapiro, que vem a falecer em 2019 na sequência do seu processo oncológico, foi por várias vezes premiada, reconhecida e homenageada nas áreas da saúde mental e psicoterapia.
Atualmente a terapia EMDR é recomendada como tratamento eficaz para traumas em várias diretrizes de práticas internacionais, incluindo as da Associação Psiquiátrica Americana. Também em Portugal, ao enquadrar a psicoterapia realizada por psicólogos enquanto “Especialidade Avançada”, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (O.P.P.) indo ao encontro dos critérios da Federação Europeia das Associações de Psicologia (EFPA), reconhece e acredita a Psicoterapia EMDR.
(Ver mais em: http://www.emdrportugal.pt )

