HIPNOSE CLÍNICA

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A hipnose clínica consiste num processo que leva à indução de um estado alterado de consciência, através de técnicas de relaxamento, de de outras técnicas de indução hipnótica. Sob este estado, é possível modificar percepções, comportamentos, entre outros, que envolvem processos psicofisiológicos.

Partindo de uma abordagem clássica, podemos perspectivar a mente humana constituída por duas partes: a Mente Consciente e a Mente Inconsciente. À semelhança de um iceberg, a parte escondida e submersa (o inconsciente) será maior do que a nossa parte consciente. A mente consciente contém aquilo de que temos consciência neste momento específico. Tudo o que está na mente consciente está simultaneamente na mente inconsciente e, por isso, a mente consciente tem um tamanho mínimo quando comparada com a mente inconsciente.O inconsciente contém toda a informação, da qual não estamos explicitamente conscientes.

O inconsciente armazena tudo aquilo que alguma vez experimentámos, tais como emoções, as vivências, sensações e até mesmo sugestões ou fantasias. Assim, a hipnose clínica, usada convenientemente num contexto terapêutico adequado, constitui uma estratégia de enorme eficácia em diversos problemas psicológicos e quadros psicossomáticos. Sendo um instrumento extremamente útil e interessante, favorece o desenvolvimento pessoal e o autoconhecimento, permite alterar comportamentos e crenças inadequadas, encontrar novos caminhos e soluções, lidar com conflitos a partir de melhores e mais eficazes estratégias de funcionamento; ou ainda e simplesmente, viver mais tranquilo.

Por isso, a hipnose clínica pode ajudar a pessoa a:

  • Reconhecer causas dos comportamentos desajustados e alterá-los;
  • Reconhecer soluções em si para superar as dificuldades a que se propõe;
  • Preparar-se para lidar mais eficazmente com os problemas, com a finalidade de procurar solucioná-los;
  • Alterar crenças/beliefs estruturadas a partir das experiências prévias da pessoa, inclusivamente crenças auto-referentes, limitantes, disfuncionais, irrealistas e desajustadas ao seu bom funcionamento e bem-estar, assim como alterar a percepção da auto-imagem percebida, se inadequada, para uma mais realista;
  • Aumentar o seu desenvolvimento pessoal e autoconhecimento, fortalecendo adequadamente o auto-conceito e a percepção de si;
  • Desfazer bloqueios inconscientes;
  • Relaxar e descontrair, física e mentalmente;
  • Melhorar a sua qualidade de vida.

Mitos e Verdades acerca da hipnose

A consciência é mais forte que a hipnose – VERDADE

Em hipnose, não é possível realizar o que quer que seja que vá contra o código de ética e moral do cliente. Ou seja, ao ouvir um eventual comando que vá contra esse código de ética e moral, o sujeito simplesmente desperta do transe hipnótico: a consciência resguarda as pessoas de fazerem algo que elas não querem.

É impossível acordar do transe sozinho – MITO

A susceptibilidade à hipnose não é sinónimo de ter mente fraca ou sugestionável. Todos nós já entrámos em transe (estado alterado de consciência), por exemplo quando vemos um filme e nos emocionamos ou até mesmo quando estamos a estudar tão concentradamente que nada é capaz de nos perturbar. Assim, não há risco de “não acordar do transe”. Imaginemos, na eventualidade remota do hipnotista se ausentar e não poder realizar o procedimento de “despertar” o sujeito, o próprio corpo irá despertá-lo naturalmente, no seu próprio tempo e ritmo.

A hipnose ativa uma supermemória – MITO

Na ficção, a hipnose é frequentemente associada a situações em que se pretende ajudar pessoas a recordar detalhes exactos de um crime que testemunharam, por exemplo.. A hipnose realmente pode ajudar a pessoa lembrar-se de fatos esquecidos. No entanto, ainda que a hipnose possa ser usada para potenciar a memória, os efeitos da suposta hipermnésia decorrente das sessões de hipnose têm sido drasticamente exacerbados nos meios populares e no cinema. As pesquisas indicam que a maior parte dessas supostas memórias são falsas ou distorcidas, isto é, são construções mentais que não correspondem ou que efectivamente possam não corresponder ao real. Assim sendo, só é possível recuperar lembranças significativas e até dolorosas que, por algum motivo se encontram bloqueadas; retornando ao consciente esse conteúdo recalcado, digamos assim, e sob a perspectiva de que a auto-regulação se processa naturalmente a fim de atingir o equilíbrio homeostático, importa aqui que o clínico oriente e facilite o processo no mesmo sentido, em prol do bem-estar e saúde do cliente.

Hipnose não é o mesmo que dormir – VERDADE

Hipnose e sono são estados completamente distintos. Esclarecendo de forma breve e muito simples, durante o sono, essencial e necessário, a mente parece agir como “um barco à deriva”, onde descansamos simplesmente, onde existe em determinadas fases, muita actividade cerebral e neurofisiológica, mas nós não monitorizamos os pensamentos, emoções e outros processos relacionados. De forma bem diferente, durante a hipnose, o cliente interessa-se e participa activamente em grande parte dos processos mentais que estão a decorrer durante a sessão. O sujeito por norma é convidado a fechar os olhos para que seja mais fácil entrar em estado alterado de consciência, para que seja mais confortável e para que tudo aconteça em menor esforço, podendo aprofundar-se o transe se houver necessidade em determinadas situações específicas, sempre com finalidades terapêuticas, evidentemente.

(Alberto Dell’Isola, professor de Psicologia na U.F.M.G., um dos maiores e mais credíveis nomes da hipnose no Brasil, elencou os mitos acerca da indução hipnótica. Foi a partir do seu trabalho que nos baseámos para resumir e evidenciar  os principais mitos acerca da hipnose.)

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